domingo, 18 de novembro de 2012

Rarely is something different.

"Às vezes, a vida não é mágica, você entende. Às vezes, a vida é comum. É uma passada em um chaveiro na hora corrida do almoço. É o estrondo luminoso e alto de um filamento rompido de uma lâmpada. É o seu vizinho vindo avisá-lo que você esqueceu as luzes do carro acesas.
Raramente é algo diferente. Talvez o olhar de uma garota na Charlotte Street, por exemplo. Quanto tempo para um olhar terminar? Por quanto tempo você pode se apoiar em um olhar?" {charlotte street}

Isn't that what we want?

"Porque não é ser escolhido, ser considerado especial, ser necessário para alguém em algum lugar, quer nós o conheçamos ou não, não é o que realmente queremos?" {charlotte street}

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Uma parte de nós acredita.

"É o 'e se'?  O 'e então'? E nós sabemos que, se formos atrás, se nos arriscarmos, imediatamente nos posicionamos para perder tudo isso. Mas, estranhamente, uma parte de nós acredita que o sentimento é de duas vias porque deve ser; é especial demais pra não ser. Acreditamos que alguma coisa foi dividida, mesmo que a evidência que temos seja... O quê? Um olhar que durou uma respiração mais longa do que o normal? Um segundo olhar, quando o olhar poderia facilmente ter sido para checar se havia algum táxi vindo, ou se a jaqueta que estamos vestindo, que chamou nossa atenção, ficaria boa no namorado dela, ou por que estávamos nos encarando." {charlotte street - danny wallace}

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"Marshall, don't say farewell."

Queria fazer um desabafo de despedida. Não sei se vou ter coragem pra fazer um sobre meus amigos até porque eu não vou perder contato com eles, não mesmo. Mas quero fazer um sobre as pessoas que não tenho certeza se verei novamente. Aquelas que por anos da minha vida, me ensinaram o caminho certo e me mostraram que sou capaz de tudo se eu tiver comprometimento e determinação. Vocês não vão ler isso aqui, queria que vocês pudessem, mas me chamariam de louca então deixa aqui, só pra mim mesmo.
Cresci ouvindo meus amigos falarem mal de todos os professores e mesmo daqueles com os quais eles se davam bem eram "insuportáveis" depois de um certo tempo. Eu nunca senti isso. Confesso que não aguentava mais olhar pra cara de alguns mas não por serem más pessoas e sim pela minha dificuldade em aprender certas coisas. Mas enfim. Eu sei que desde pequena fui educada a respeitar e gostar dos meus professores e sou assim até hoje. Reconheço que são eles que me fizeram ser quem sou hoje porque ultimamente passo mais tempo com eles do que com minha mãe. E não gosto de despedidas, muito menos de dizer "adeus".
Jorge. No primeiro ano, quando diziam que teria aula dele eu simplesmente abaixava a cabeça e respirava fundo. Porque ele não se importa se você está tendo um dia ruim, ele quer que você aprenda. Ele é uma das melhores pessoas que conheci. Ele não se importa de ficar até tarde te ajudando se você realmente precisar. Ele dá o melhor dele e sinceramente, ele é um dos poucos que realmente gosta do que faz. E as carinhas de cachorrinho abandonado que ele faz são fofíssimas. "Ô menino, cê chega no baile e diz pra moça: vamos tirar umas fotos estroboscópicas? A moça vai ficar doida contigo. Faz isso, menino!" "Viva a sexta!" "Viva a quase sexta!" "Viva o dia antes do dia antes da sexta!!!!" "Falei com minha mulher 'vou tomar uma providência!' Cacete, pinga boa essa providência né?" "Bração procês" Lembro de todas as vezes que eu tava saindo meio nervosa da sala e ele sujava meu casaco de giz e dizia "Fica aborrecida comigo não?" É impossível não rir. É impossível não chorar quando se sabe que você vai perder uma pessoa dessas na sua vida.
Bia. Caralho, a Bia. Já fiz uma postagem pra ela aqui. Ela é simplesmente foda. Não tem outro jeito de definí-la. Além de ser inteligentíssima, ela é uma pessoa que todo mundo respeita e tem vontade de conhecer. Ela fala a verdade pra você não importa as consequências disso. Ela te dá fôlego pra tudo que ainda tem por vir. A matéria pode ser a pior que tenha, ela vai dizer "Isso é mole! Vocês tiram de letra. Eu sei que vocês tiram." Você passa a olhar tudo com mais simplicidade. Se ela te ver com celular alguma vez na aula dela, prepare-se porque ela vai passar os 50 minutos fazendo um discurso pra você. Ela pode estar com 40 graus de febre, se não dá pra repor essa aula, ela vai nesse estado pra escola. Ela não admite nada mal feito. As provas dela são de estressar. Mas ela me ensinou uma das coisas mais importantes e que vou levar pra vida toda : a ser responsável. "Ânimo, cabritinha!"
Samira. A profesora eleita a mais linda da escola. Meu terceiro ano estudando contigo e parece que não foi nada. Amo quando você começa a declamar os poemas sem ler e fica com cara de orgulho quando termina.. Reparo todo dia na sua cara de sofrida. Eu nunca me esqueci, lembro exatamente de onde eu estava sentada no dia que você "cantou" pra mim "Se todos fossem iguais à você..." Deve ter sido a partir dali que virei sua fã. Mas isso não vem ao caso. Sua filha é linda, amo te encontrar na rua, e sou apaixonada nos seus vestidos longos. "Vocês não sabem quem musicou isso? Olhem pra mim!!!!!! Caetano Veloso...."
Rodrigo. Nosso REIdrigo, nosso semi-deus. Nem se eu tentasse eu conseguiria esquecer de você! Todo mundo espera sua aula porque temos certeza de que vamos rir um pouco. Somos íntimos do seu sobrinho, né? Meu sonho não realizado é ver você vendo uma foto de tubarão. HAHAHAHAHAHAHAHAH.. Nos ensinou a dancinha que serve pra todos os ritmos! A pessoa que começou com a história de que eu e Yas somos gêmeas. Agora todos os outros dizem isso. O professor mais carismático do mundo. Vou morrer de saudades das suas aulas, de você imitando o Wilde, o Cadu.. "Olha o bullying.." Lembro até hoje de quando estávamos no primeiro ano, fizemos sua festinha surpresa e no vídeo você segurou pra não chorar e quando todo mundo te aplaudiu, você chorou. Uma das melhores pessoas desse mundo! Obrigada, por tudo!
Duda! A santa casamenteira da sala! "Gente, ainda não tomei meu remedinho hoje.." "Tadinha, uma pessoa tão do bem.. Porque eu sou uma pessoa do mal." "Eu sou louca. Já disse pra vocês?" "Andei de camburão e vocês não, aaaaaahahahahha!" "Mandei o Fabianderson enfiar na boca pra ver se consegue falar!" Na moral, suas histórias são as melhores!
Wilde ("O energúmeno, inteligência rara!"), Tia Adriana, Bernardo (meu ídolo), Crístian, Nícia ("Eu queria tanto ser uma planta.."), Ana Lúcia, Marcelo, Berta, Alan ("Esse cara sou eu.")..
Obrigada por tudo que vocês fazem por nós. Eu amo vocês! E sinceramente, vai ser difícil achar pessoas sequer parecidas com vocês. "Se ao menos pudéssemos ter vocês nos guiando a vida inteira..."

http://www.youtube.com/watch?v=ffqmPw2ymCo
http://www.youtube.com/watch?v=_aOGZ-bPq-w&feature=related

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Entende o que quero dizer?

"Porque uma coisa que odeio com relação à esperança - o que desprezo nela, aquilo que ninguém parece admitir sobre ela - é que, de repente, ter esperança é a rota mais fácil para escapar da desesperança.
E aquela esperança já está dentro de mim. De alguma forma, sem o meu convite para que ela entrasse ou sem a minha espera por ela, ela está lá, e baseada em quê? Em nada. Nada além da olhada que ela me deu e a visão de relance que eu tive de... Alguma coisa.
Eu estava parado na esquina da Charlotte Street quando tudo aconteceu. Acho que eram seis horas, e uma garota - é, porque você e eu sabemos que tem uma garota; tinha que ter uma garota; sempre tem uma garota - estava brigando com a porta do táxi preto e segurando uns pacotes. Ela usava um casaco azul e sapatos bonitos, e as sacolas brancas tinham coisas escritas que eu nunca tinha lido antes, além de caixas e um cacto quase caindo de uma sacola da Heal.
Eu estava prestes a passar reto por ela, porque é o que se faz em Londres, e, para ser honesto, quase passei. Mas ela quase deixou o cacto cair.. Com os pacotes todos tortos, ela teve de se curvar para mantê-los nos braços, e foi nesse momento que percebi que havia alguma coisa doce, pequena e frágil com ela. 
E então ela pronunciou umas palavras que nem contarei aqui, pois sua avó pode passar e pegar esta página para ler.
Segurei um sorriso e olhei para o motorista, mas ele não reagiu, apenas ouvia o programa de esportes no rádio e fumava; e então - não sei por que, pois, como eu já disse, isso é Londres - perguntei se poderia ajudá-la. 
E ela sorriu pra mim. Um sorriso inacreditável. De repente sinto toda masculinidade e confiança, como um faz-tudo que sabe exatamente qual prego comprar, e seguro seus pacotes e algumas de suas sacolas, e ela está pegando outras sacolas que parecem ter brotado de dentro do táxi, e está dizendo "Obrigada, é muito gentil da sua parte", e então acontece aquele momento. O olhar de relance, rápido, para aquela alguma coisa que mencionei. E me pareceu um começo. Mas o motorista estava impaciente, o ar da noite gelado, e acho que nós éramos muito britânicos para dizer qualquer coisa a  não ser aquele "Obrigado" e dar um sorriso novamente.
Ela fechou a porta e vi o táxi partir, as luzes desaparecendo pela cidade e, no chão, atrás delas, a esperança se arrastando pra longe. 
Então, quando o momento parecia ter acabado, olhei pra baixo. 
Eu tinha algo em minhas mãos. 
Uma caixa de plástico pequena.
Eu li as palavras impressas na frente.
Câmera Descartável 35 mm.
Eu queria gritar para o táxi, sacudir a câmera no alto e ter certeza de que ela sabia que tinha deixado alguma coisa pra trás. Por um segundo eu estava cheio de ideias - talvez, quando ela voltasse correndo, eu oferecesse um café e então concordaria quando ela dissesse que realmente precisava de uma boa taça de vinho, e pegaríamos uma garrafa, pois financeiramente faz mais sentido pegar uma garrafa, e perceberíamos que não deveríamos estar bebendo de estômago vazio, e, então, abandonaríamos nossos trabalhos e compraríamos um barco e começaríamos a fazer queijo no campo. 
Mas nada aconteceu.
Nenhuma freada de pneu, nenhuma parada para mudança brusca da marcha, nada da luz de ré acender, nenhuma corrida ou garota sorridente com seus sapatos bonitos e um casaco azul.
Apenas outro táxi que parou e um homem gordo que desceu no caixa eletrônico. 
Você entende o que quero dizer sobre esperança?" {charlotte street - danny wallace}

domingo, 4 de novembro de 2012

Verbo ser

"QUE VAI SER quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser : pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá pra entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer." {carlos drummond de andrade}