sexta-feira, 2 de março de 2012
Por que não?
“Chega de falar sobre a dor, sobre amores não correspondidos, amores proibidos, sobre coisas que não temos e sentimentos que nos fazem mal. Por que não falamos de coisas boas? Por que não falamos de quando éramos criança e fazíamos festas de aniversário com todos os nossos coleguinhas, da alegria em abrir a sacolinha surpresa, de quando ganhávamos exatamente o que pedíamos ao papai Noel no natal ou de quando víamos nossos pais nos beijinhos e afagos desejando um amor igual ao deles quando crescêssemos? Por que não falamos de como era bom brincar na rua, bater figurinha no recreio, das notas altas que tirávamos na terceira série, das vezes que um de nossos pais nos enchia de carinho nos fazendo morrer de vergonha, de como era bom ir ao mercado quando criança só para comprar algumas guloseimas? Por que não pegamos algumas fotos reveladas e revivemos em pensamento aquela viagem que foi muito legal? Por que não rimos das roupas que usávamos, das músicas que cantávamos, dos beijos que nossos avós nos roubavam? Por que não falamos do tênis de luzinha que quase todo mundo tinha e de como era legal ‘’pisar duro’’ só para ele acender? Por que não nos lembramos do frio da barriga que sentíamos quando alguém nos empurrava no balanço, de como era legal ajudar a mãe na cozinha, o pai a lavar o carro, de como gostávamos de assistir mundo da lua, castelo rá-tim-bum, de como gostávamos de brincar de escolinha; casinha, polícia e ladrão, mãe da rua; de como sonhávamos em estudar no múltipla escolha e almoçar no gigabytes e mesmo sabendo que isso não ia acontecer, não ficávamos mal por isso? Por que não falamos do medo que tínhamos das histórias de terror que nossos primos mais velhos nos contavam, da felicidade em encontrar dois tazos no mesmo salgadinho, de como era difícil montar um brinquedo que vinha no Kinder Ovo, de como aguardávamos ansiosamente pelo nosso ovo de páscoa só pela surpresa, das vezes que a professora tinha que sair um pouco da sala e pedia para que anotássemos na lousa o nome de quem fizesse baderna? Por que não falamos dessas coisas? Por que não falamos de como nos sentíamos superiores quando não nos encontravam no pique - esconde e que, com um tapa na parede e orgulho no peito, gritávamos: ‘’Eu salvo o mundo!’’. Por quê? Por que não salvamos o nosso mundo?”
— Jéssica ”Das coisas que não falamos.” (via warllyssong)
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