terça-feira, 28 de maio de 2013

como explicar?

E eu chorei. Chorei por tudo que estava acontecendo. Chorei porque não aguentava mais segurar tudo aquilo que estava gritando pra sair de dentro de mim. Chorei pelo cansaço, chorei pela desgraça. Muito menos minha; mas a desgraça do mundo. Chorei porque buscava uma resposta. Queria saber porque o mundo era tão injusto e cruel. Até que descobri. Era exatamente isso. Chorava porque eu sabia. Você não tem medo de uma serpente até que te digam que ela é perigosa. Você não teme a morte até que digam que você tem somente mais um mês de vida. Você não teme antes de saber.. As crianças são as pessoas que melhor aproveitam essa vida. Porque elas não se preocupam, elas simplesmente falam e fazem o que lhes dá vontade. E então, chorei de novo. Chorei porque percebi que nem todas têm essa escolha. Delas é arrancado o direito de sonhar e em seus rostos esfregada a dura e fria realidade. A realidade de que alguns podem sonhar, mas ela não têm escolha. Como explicar a essa criança que ela não pode ir à escola ou ao parque porque lá só podem estar crianças que têm sapato e almoço? E ela irá se perguntar "Porque eu não tenho?" Como explicar? Por que, meu Deus, tanta crueldade para com seres tão ingênuos e indefesos? Chorei mais uma vez. Mas nesse momento o sinal tocou e a turma se dispersou sorrindo. Concordo com eles, é mais fácil virar o rosto e ignorar a realidade. É mais bem fácil assim.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A flor e a náusea

(...)
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de
aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, 
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor. 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio." {carlos drummond de andrade}

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Existem dias como os de hoje que fico me perguntando porque não aproveitei mais quando tinha tempo contigo. Sempre reclamava e agora vejo o quanto me faz falta. Sinto falta de absolutamente tudo, até das piores coisas que você fazia, que eu tinha vontade de te matar. Eu não entendia que era assim que melhores amigas lidavam uma com a outra. Poderia ficar aqui enumerando tudo que sinto falta e todas as suas qualidades/defeitos mas não conseguiria expressar exatamente da maneiro que sinto. Eu sinto sua falta todos os dias. Ninguém nunca poderá tomar o seu espaço no meu coração e você sabe o quanto significa pra mim. I'll take you with me in my heart whenever I go. I'm forever changed by you. E vou parar com essa baboseira e sentimentalismo porque nós duas sabemos que não somos boas com isso.Te amo, demoizinha. <3

Os ombros suportam o mundo

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão, mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não podes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentros dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda,
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
Prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação." {carlos drummond de andrade}